top of page

IA está nos emburrecendo? A pergunta certa sobre produtividade e cérebro

  • Foto do escritor: Leide Franco
    Leide Franco
  • 2 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

IA está nos emburrecendo? A pergunta certa sobre produtividade e cérebro

A Inteligência Artificial (IA) saiu dos laboratórios de tecnologia e virou assunto de mesa de bar, de reunião de equipe, de grupos de WhatsApp e de feed do LinkedIn. Há quem a ame por sua produtividade, quem a tema por sua rapidez e quem defenda que ela está, na verdade, "emburrecendo" as pessoas.


Mas, será que a IA criou algum comportamento novo, ou ela só acelerou o que já estava em nós?


Quando gravamos o episódio sobre IA no InCast, uma coisa ficou clara: a pergunta "a IA está emburrecendo as pessoas?" Talvez seja a pergunta errada. A tecnologia não inventou a preguiça intelectual; ela apenas colocou tudo o que já buscávamos em uma bandeja de prata.


O atalho tentador do cérebro humano

A neurologia explica: o cérebro humano sempre buscou a facilidade. Sempre procurou o caminho mais rápido, a resposta mais pronta, o atalho mais confortável para economizar energia.


A IA se encaixa perfeitamente nesse desejo. Ela remove o atrito, encurta o tempo de pesquisa e organiza o pensamento em segundos.

E quando algo é tentador demais, o nosso instinto natural é relaxar. E relaxar não é ser burro. É ser humano.


O problema não é a IA escrever textos, propor soluções ou organizar ideias. O problema é o que acontece antes de pedirmos a ajuda da máquina, quando paramos de:

  • Tentar resolver por conta própria.

  • Pensar criticamente sobre o resultado.

  • Errar e aprender com o processo.


A IA não é a causa do emburrecimento; ela é o amplificador de como cada pessoa escolhe usá-la.


O dilema entre a substituição e a expansão

É aqui que reside o ponto de virada na nossa relação com a IA. A ferramenta, por si só, é neutra. O seu impacto depende da intenção do usuário:


  • Se você usa para substituir o seu esforço, você enfraquece. Você atrofia a capacidade de construir argumentos, de buscar fontes originais e de resolver problemas complexos.

  • Se você usa para expandir o seu potencial, você floresce. Você a transforma em uma co-piloto para refinar ideias, testar ângulos diferentes ou organizar o volume de dados.


O uso passivo da IA nos torna dependentes. O uso ativo e reflexivo nos torna mais eficazes.


Rapidez não é profundidade

Vivemos em um mundo pressionado: pelo tempo, pelo prazo, pelo feed que exige conteúdo constante e pelo volume absurdo de estímulos que competem pela nossa atenção.


E é aí que a IA se encaixa como uma luva: ela é rápida.


Mas, como comunicadores e profissionais, sabemos que rapidez não é profundidade. E a profundidade, a originalidade e a reflexão crítica não nascem de atalhos. Elas nascem do esforço de pensar primeiro e da coragem de errar.


A pergunta mais honesta que devemos fazer é outra: a IA está nos deixando preguiçosos… ou estamos nos agarrando a essa preguiça porque ela dá menos trabalho do que pensar?


A relação adulta com a IA

O que a gente precisa, seja como comunicadores, como profissionais, como seres pensantes, é de uma relação adulta com a IA. Uma relação que não é submissa nem dependente, mas sim consciente, crítica e responsável.


A chave está na ordem:

  1. Pensar primeiro.

  2. Pedir ajuda depois.


Porque a IA não é inimiga do pensamento. Ela é inimiga da preguiça disfarçada de produtividade.


No fim das contas, a preocupação não deve ser em "ficar mais burro". Deve ser em cuidar para não terceirizar aquilo que nos torna fundamentalmente humanos: a capacidade insubstituível de refletir, criar e sentir.

Comentários


© 2025 - Todos os direitos reservados

Criado orgulhosamente pela ag!ncom®

Siga a gente:

  • White Instagram Icon
bottom of page