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Do orelhão ao Zap: por que a comunicação entre gerações parece um campo minado

  • Foto do escritor: Leide Franco
    Leide Franco
  • 3 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Comunicação Intergeracional

Se você nasceu até os anos 90, sabe que o telefone era a norma. Atender uma ligação era natural, e esperar alguém chegar em casa para falar fazia parte da rotina.

Hoje? Uma ligação inesperada, sem aviso prévio, é quase uma ameaça. Uma interrupção que exige atenção imediata e, muitas vezes, causa ansiedade.


É nesse abismo de expectativas que começa a complexidade da comunicação intergeracional, tema central do nosso último episódio no InCast. Gerações diferentes aprenderam a se comunicar em mundos diferentes, e é por isso que tanto ruído e tantas mensagens mal compreendidas surgem no caminho.



O repertório de cada geração

A comunicação mudou porque a vida mudou. As ferramentas moldaram o nosso repertório de expressão:


  • geração X: aprendeu a falar com formalidade e pontuação.

  • millennials: dominaram a ironia e a informalidade controlada.

  • gen Z: se comunica por emoji, meme e áudio curto, com alta velocidade.

  • gen alpha: bom, a alpha mal fala. Ela manda vídeo e interage com o ambiente digital.


Para quem cresceu esperando duas horas para baixar uma música ou esperando o bip do pager, o imediatismo do WhatsApp parece uma exigência absurda. Para quem nasceu com a internet no colo, esperar a resposta de um e-mail pode parecer tortura psicológica.


O ruído não está na ferramenta, está no sentido

O problema não é o WhatsApp, o e-mail ou o áudio de 5 minutos. O problema está na interpretação do sentido da comunicação.


No meio desse contraste, surgem os conflitos: "Briga", "ruído", "mensagens mal compreendidas", ou o clássico "você me deixou no vácuo" que magoa.


A verdade é que cada geração atribui um valor diferente ao ato de comunicar:

Intenção na Comunicação

Foco (Comportamento Típico)

Geração com Maior Tendência

Resolver/Informar

Objetividade, uso de e-mail ou ligação formal.

Geração X, Boomers

Expressar/Desabafar

Uso de áudios longos ou mensagens emotivas.

Millennials, Geração X

Performar/Engajar

Uso de stories, memes, vídeos curtos e emojis.

Geração Z, Alpha

Manter Contato

Respostas rápidas e superficiais, só para manter a presença.

Todas (depende do contexto)

Tem quem ligue para resolver. Tem quem mande áudio para desabafar. Tem quem queira conversar enquanto faz outra coisa. E tem quem fique ansioso só de ver a notificação. E está tudo bem.


Intencionalidade: o segredo para aproximar

Quando entendemos que cada geração aprendeu um jeito diferente de falar, fica muito mais fácil parar de interpretar como ofensa aquilo que, na verdade, é só uma diferença de repertório.


O problema não está na linguagem em si, mas na falta de intencionalidade.

Comunicar é aproximar. E aproximar exige uma coisa simples, mas rara, especialmente na pressa do mundo moderno: intencionalidade.

A intencionalidade se resume a uma única e poderosa pergunta:

“Como ele (o interlocutor) entende melhor o que eu quero dizer?”

Não é sobre você falar do seu jeito preferido. É sobre cuidado. É sobre adaptar a mensagem para o canal e para o receptor. Quando fazemos esse esforço, o campo minado se torna uma ponte.


As barreiras de comunicação no ambiente de trabalho e nas relações pessoais não são intransponíveis. Elas apenas exigem que as empresas e os líderes invistam em clareza, empatia e adaptação.


Sua empresa está preparada para gerenciar o ruído geracional? Você tem um plano para garantir que sua mensagem não se perca entre o e-mail formal e o meme da Gen Z?


Invista na comunicação que realmente conecta.

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