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Lição chinesa: o que a regulamentação de influenciadores na China ensina ao Brasil

  • Foto do escritor: Leide Franco
    Leide Franco
  • 9 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura


regulamentação de influenciadores

Em um cenário onde a informação se propaga na velocidade de um scroll, a linha entre opinião pessoal, publicidade disfarçada e conselho profissional tornou-se perigosamente tênue. A China, atenta a essa vulnerabilidade, deu um passo drástico que está forçando o mercado global de influência a uma reflexão profunda sobre credibilidade e expertise.


O precedente chinês: fim dos "Coaches" sem credencial


Recentemente, a China implementou novas regras severas que exigem que criadores de conteúdo que abordam tópicos sensíveis comprovem sua qualificação profissional. Tais exigências recaem principalmente sobre as áreas de Medicina e Saúde, Finanças, Direito e Educação.


A ideia é simples: para dar conselhos sobre investimentos, é necessário ser um profissional do mercado financeiro certificado; para falar sobre diagnósticos ou tratamentos, é preciso ser um médico ou profissional de saúde devidamente licenciado.


O objetivo principal da medida, adotada pela Administração do Ciberespaço da China (CAC) e outros órgãos reguladores, é combater a desinformação sistemática e proteger o público de fraudes ou riscos à saúde.


O impacto é vasto. Além de exigir diplomas e licenças, a lei obriga as próprias plataformas (como Douyin, Weibo e Bilibili) a fiscalizar e, em caso de infração, aplicar multas pesadas e suspender contas. O recado é claro: a autoridade precisa ser verificada.


E o Brasil? A discussão sobre a responsabilidade digital


Embora o Brasil não exija a apresentação de diplomas para a criação de conteúdo, a discussão sobre a responsabilidade e a ética dos influenciadores está mais viva do que nunca, convergindo com a tendência global por transparência.


No mercado brasileiro, o foco regulatório tem se concentrado em duas vertentes principais:


Publicidade oculta (Jabá): O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) e o Código de Defesa do Consumidor são frequentemente invocados. O Brasil já possui diretrizes que exigem a sinalização clara de qualquer conteúdo patrocinado (uso de hashtags como #publi, #ad ou ferramentas nativas da plataforma), protegendo o consumidor da confusão entre endosso pessoal e publicidade paga. A penalidade, aqui, recai sobre a marca e o influenciador, podendo resultar em suspensão da campanha e multas.


Responsabilidade por danos: O debate legal ganha força especialmente em casos de pirâmides financeiras, golpes ou conselhos de saúde perigosos promovidos por figuras públicas sem qualificação. O Poder Judiciário tem sido acionado para responsabilizar influenciadores que, ao endossarem produtos ou esquemas fraudulentos, causam prejuízos significativos aos seus seguidores.


A lição da China, nesse contexto, é um espelho para o Brasil: a legitimidade do conteúdo técnico não pode ser baseada apenas na popularidade. É preciso que as marcas, agências e próprios criadores assumam a autorregulamentação e priorizem o expertise verificado, antes que o Estado precise intervir de forma mais rigorosa.


O futuro do Marketing de Influência: autoridade e autenticidade


O cenário global aponta para uma verdade incontornável: a credibilidade é o novo algoritmo.

Em vez de focar apenas no alcance (o número de seguidores), as estratégias de Marketing de Influência devem agora priorizar a autoridade temática e a autenticidade verificada. Uma marca que endossa um criador qualificado em seu campo não apenas cumpre compliance, mas também eleva o valor e a confiança percebida de seu produto ou serviço.


O momento é de investir em parcerias com especialistas reais, garantindo que a mensagem seja ética, transparente e sustentada por conhecimento legítimo. O sucesso digital não está em quem grita mais alto, mas em quem fala com a voz da verdade e da competência.

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