Marketing Político nas Eleições 2026: as novas regras do TSE para o digital
- Leide Franco

- 3 de ago.
- 3 min de leitura

A preparação para as Eleições de 2026 agitou os bastidores de agências de comunicação e gabinetes políticos. Para alinhar a criatividade com a legislação, reunimos nossos times de Estratégia Digital e Conformidade Jurídica na Agincom.
Entenda de forma prática o que está liberado, o que foi banido e como planejar sua campanha com total segurança jurídica.
1. Afinal, a Inteligência Artificial está liberada ou proibida?
A Inteligência Artificial continua permitida, mas a era do "vale-tudo" acabou. A regra de ouro estabelecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é a transparência e a rotulagem obrigatória.
Avisos claros: todo conteúdo gerado ou alterado por IA, seja texto, imagem, áudio ou vídeo, precisa avisar explicitamente ao eleitor que aquela peça é sintética. Em áudios, a informação deve vir no início; em vídeos e imagens, por marca d'água visível.
Deepfakes banidos: simulações ultrarreais de voz ou rosto com a intenção de enganar o público continuam estritamente proibidas. O descumprimento gera multas pesadas, remoção imediata do material e pode levar até à cassação do registro da candidatura.
Exceções da regra: Ajustes simples para melhorar a qualidade do som e da imagem, elementos gráficos básicos de identidade visual ou vinhetas de edição comuns não exigem o selo de IA.
2. O que é a "Janela de Restrição" de IA na reta final?
Uma das maiores novidades do TSE é a limitação do uso da tecnologia no momento mais decisivo da disputa:
Período | Regra para Conteúdo Gerado/Alterado por IA |
72 horas antes da eleição | Proibido publicar, republicar ou impulsionar |
Dia da votação | Proibido publicar, republicar ou impulsionar |
24 horas após a eleição | Proibido publicar, republicar ou impulsionar |
Na prática: A medida serve para combater os "ataques de última hora" — evitando que vídeos ou áudios falsos circulem no fim de semana do pleito sem tempo hábil para checagens ou defesas. Na reta final, a campanha só pode vehicular materiais reais, captações orgânicas e conteúdos sem manipulação sintética.
3. Fim dos "campeonatos de cortes" e da militância paga
Práticas comuns em pleitos passados, como remunerar seguidores para gerar engajamento ou criar "campeonatos de cortes" em redes sociais, foram enquadradas pela Justiça Eleitoral.
Engajamento orgânico: o apoio de influenciadores e da militância deve ser espontâneo.
Proibição do engajamento pago: distribuir prêmios, Pix ou pagamentos indiretos para terceiros espalharem conteúdos de campanha configura abuso de poder econômico, o que pode comprometer a chapa.
4. Como fica o Tráfego Pago e os Anúncios Impulsionados?
O impulsionamento nas redes sociais segue como uma das principais ferramentas de alcance, mas exige rigor operacional:
Contratação direta: a compra de mídia deve ser feita exclusivamente entre a campanha (usando o CNPJ do candidato ou partido) e a plataforma digital.
Biblioteca de anúncios: todas as plataformas são obrigadas a manter repositórios públicos informando quanto dinheiro foi gasto, quem pagou pelo anúncio e qual público foi segmentado.
Proibição de impulsionamento negativo: é vetado pagar para distribuir conteúdos que ataquem ou difamem adversários.
O segredo para uma campanha vitoriosa em 2026
A palavra-chave deste ano é integração. A criação, o marketing digital e o jurídico não podem mais trabalhar de forma isolada.
Cada roteiro, post, anúncio e estratégia de distribuição precisa passar por um filtro técnico e jurídico antes de ir ao ar. Criatividade continua sendo indispensável, mas a governança, a transparência com o eleitor e a conformidade com as regras do TSE serão os verdadeiros pilares de uma campanha sólida e vitoriosa.
Para acompanhar uma análise em vídeo com mais detalhes sobre o impacto dessas decisões do TSE nas estratégias de marketing político, confira a cobertura do Jornal do SBT News sobre restrições de IA nas Eleições. Esse material ajuda a visualizar os desafios práticos que as equipes de comunicação enfrentarão até o dia da votação.




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